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Pai e cabeleireiro especial

“Quando Gabriel tinha uns 3 anos, eu o levei a um salão para cortar o cabelo. Lá, o cabeleireiro me disse que não cortava cabelo de deficientes. Sai de lá chateado, passei numa farmácia e comprei uma máquina de corte. Eu mesmo cortei o cabelo do Gabriel. Em seguida, veio a ideia: por que não seguir isso como uma profissão? Assim, poderia dedicar mais tempo ao meu filho.”

Michel Oliveira é pai de Gabriel que tem paralisia cerebral. Ele relatou que receber a noticia foi um choque, que ficou sem chão. Mas tem uma frase que sempre diz: “Deus te deu um filho especial; não o trate como deficiente.”

Ele trabalhava com mecânica industrial e agrícola quando decidiu mudar de profissão e virar um cabeleireiro, especificamente, para crianças especiais. Mesmo o rendimento caindo bruscamente e ficando endividado por um longo tempo, sua esposa, que é vigia, entendeu o seu trabalho e ainda o ajuda nas horas de folga.

Michel começou fazendo o serviço com as crianças especiais do bairro em que mora e agora ainda faz trabalho voluntário nas APAEs (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), em asilos e orfanatos.

O pai cabeleireiro conta que a parte mais difícil do seu novo trabalho é a terapia que as crianças são submetidas, assim elas tem uma relutância em aceitar que as pessoas toquem nelas. É preciso de muito amor e carinho. “No entanto, é justamente aí que mora a grande recompensa, aquela que ajuda a superar qualquer obstáculo: é conseguir quebrar essa barreira do medo e ser aceito por essas crianças. Não me arrependo nem um pouco da mudança.”

Natália Belém

Uma simples garota com alma internacional que ama escrever e estuda Publicidade e Propaganda.