Garis Encontram celular da jornalista Meline Lopes
Foto:Marco Antônio/Secom Maceió

Exemplo: garis devolvem celular encontrado na rua

Não foi preciso utilizar aplicativo de rastreamento ou qualquer outro programa de localização para a jornalista Meline Lopes recuperar o celular perdido durante a reportagem que fazia na manhã dessa segunda-feira (25), no bairro de Jaraguá. O aparelho voltou às suas mãos graças a uma antiga, e por vezes esquecida, conduta de caráter: a honestidade. Os responsáveis por esse verdadeiro exemplo de humanidade e cidadania foram os garis Gilson Viera da Silva, 33, e Sidyneis Barbosa dos Santos, 37.

A dupla, a serviço de Superintendência de Limpeza Urbana de Maceió (Slum), encontrou o telefone no chão, próximo à Praça Marcílio Dias, enquanto realizava o trabalho diário de varrição e recolhimento de pequenos resíduos. Ao apanharem o celular, eles deduziram que a dona seria Meline, uma vez que o aparelho estava próximo ao carro da reportagem que acabara de estacionar.

“Chamamos uma pessoa que trabalha no local onde ela entrou – a Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC) – e pedimos para entregar”, relatou Gilson, que ao lado de Sidyneis trabalha na região do Jaraguá de segunda a sábado, sempre das 05h às 13h20. A dupla, que atua há um ano e três meses como gari, também auxilia nos trabalhos de limpeza da orla da Praia da Avenida.

E eis a grandeza da história toda. Em uma profissão tão discriminada, por vezes, invisível, surge uma lição de vida surpreendente. Um ato digno da nobreza de caráter.

Foto: Marcos Antônio/Secom Maceió

Na manhã desta terça-feira, eles se reencontraram com Meline no mesmo local do dia anterior. A jornalista, agradecida, fez questão de cumprimentar mais uma vez os agentes de limpeza. “Na hora, eu fiquei tão nervosa e emocionada com a situação, que esqueci até de pegar o contato deles”, comentou. “Não é nem pelo valor financeiro, mas pela atitude. Por saber que ainda existem pessoas assim. Um exemplo como esse nos faz continuar acreditando na humanidade”, frisou.

Quem avistou o celular primeiro foi Sidyneis. “Eu imaginei que era dela devido à posição junto ao carro da reportagem”, relatou. Mesmo assim, o gari não tinha certeza e por que resolveu entregar? “Não era meu”, respondeu, de modo decisivo. “Não era meu. Eu não preciso do celular de ninguém. Eu tenho o meu. Tenho o meu trabalho para comprar o meu celular”, reforçou Gilson, o colega de farda.

 

Questão de educação

“Meu comportamento é fruto da educação. Minha mãe sempre conversava comigo e dizia: ‘Passou por algum canto e viu algo perdido, deixe lá que tem dono e ele está procurando. Sempre que puder, ajude. Mas não pegue aquilo que não é seu’”, lembrou um dos garis que, além de dar o exemplo, ensina uma nobre lição para todos nós.

 

Via Prefeitura de Maceió

Jorge Rodrigues

20. Estudante de Publicidade. Cinema. Roteiros. Diretores. Música. Internet. Amante da Zoeira. Estagiário nessa coisa chamada "Mídias Sociais".