A Dinâmica das Relações Afetivas na Era Digital

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Arte: Thiago Guimarães

Por Thiago Guimarães

Não seria exagero afirmar que a partir do avanço das novas tecnologias o modo como as pessoas se relacionam começou a mudar. Em um mundo cada vez mais inquieto, a onda cibernética se propaga com velocidade e atinge toda a sociedade com a promessa de facilitar a comunicação social deixando-a mais prática, confortável e segura. De uma maneira ou de outra, estamos todos conectados.

Quando pensamos em interação social podemos encontrar na rede um mecanismo de aproximação eficaz que possibilita, entre outras coisas, a construção de relacionamentos afetivos. Com o surgimento das primeiras redes sociais, em meados dos anos 2000, as coisas começaram a enveredar para um caminho sem volta.

Como consequência desse fenômeno, a interação virtual passou a ser algo comum na vida das pessoas, que por sua vez, gastam cada vez mais tempo na frente da telinha.

A gameficação dos sentimentos

Reprodução: Internet
Reprodução: Internet

Se tratando de paquera, todas as redes sociais sempre funcionaram como potenciais canais de azaração, levando-se em consideração a proposta inicial de conectar pessoas. Entretanto, o público necessitava de ferramentas mais direcionadas que pudessem atender demandas mais específicas.  Nessa perspectiva, as grandes empresas começaram a criar aplicativos e sites para todos os perfis de usuários.

Atualmente, basta abrir sua loja virtual no celular e descobrir um universo de chats e aplicativos para todos àqueles que desejam encontrar alguém especial. Se pararmos para pensar, a cada minuto milhares de pessoas recorrem a esses dispositivos, seja para buscar a alma gêmea, bater papo ou simplesmente encontrar sexo casual.

Na concepção da consultora sexual Milka Freitas, esses recursos cibernéticos revolucionaram a maneira como as pessoas se relacionam, até mesmo nas esferas mais íntimas dos sentimentos. A especialista destaca que os aplicativos se tornaram uma importante alternativa para aqueles que não gostam ou não tem tempo para sair de casa, para quem busca por encontros imediatos, ou mesmo para os mais tímidos.

Todavia, vale considerar que mesmo diante da eficácia e praticidade que os aplicativos prometem, nem sempre as coisas acontecem como o esperado. O índice de desapontamento ainda é grande entre os usuários, como explica Milka:

Tudo que se faz em excesso pode agredir o seu emocional. Se você usar os aplicativos eventualmente, ou seja, não ficar dependendo somente disso para resolver a sua vida amorosa, eles podem ser uma boa alternativa. O importante é saber dosar o tempo e importância que dispensamos para isso”, avalia Milka.

A chamada Era Digital sugere a ideia de que se você não possui perfil em alguma rede social pode até se considerar fora do jogo. De certa forma isso pode até conter um percentual de verdade, mas claro que tudo isso vai depender do círculo social que você frequenta e da maneira como estabelece suas relações.

Outro ponto que vale ser considerado se deve ao fato que no espaço virtual podemos conhecer boa parte da vida da outra pessoa, ou ao menos aquilo que ela queira mostrar ou nos fazer acreditar, inclusive aspectos mais íntimos sem nunca tê-la vista pessoalmente. Através das redes é possível ver amigos em comum, lugares que frequenta, escola onde cursou o ensino médio, nome do cachorro e até a comida preferida.

Muitas vezes, paquerar na internet parece ser algo mais empolgante e divertido que fora dela. Mas será mesmo que saltar etapas de conhecimento mútuo pode ser algo positivo?

Milka avalia que, por cultura, temos o hábito de acreditar que a primeira impressão é a que fica. Nos aplicativos de relacionamento não poderia ser diferente. Em decorrência dessa pressão em mostrar sempre o nosso melhor lado já no primeiro contato, acreditamos que só teremos uma única chance de conquistar o crush.

Talvez por esse motivo, algumas pessoas recorrem a certas estratégias para ganhar vantagem no jogo da sedução. Os artifícios vão desde o uso de Photoshop para melhorar as fotos até mentir a idade, classe social e preferências sexuais. Tem gente que exagera tanto nos retoques que assume uma outra identidade. É o caso da cantora Annita, que em agosto de 2016 revelou em seu snapchat que usava tanto photoshop nas fotos que quando ia aos encontros ninguém a reconhecia.

Em poucas palavras, nessa gameficação dos sentimentos jogam-se todas as cartas para ganhar aquela partida e levar o prêmio para casa, ou para o cinema, motel, como preferir!

A consultora sexual Milka Freitas bateu um papo com estudantes sobre uso de aplicativos para relacionamento. Confira:

Cassino Virtual

Nesse universo de paqueras online pode-se encontrar de tudo um pouco. As buscas vão desde sexo sem compromisso até relacionamentos longos e duradouros. Há, ainda, aqueles que apostam todas as fichas em relações que ofereçam vantagens econômicas, luxo e viagens. Tem até aplicativo para os já compromissados que desejam descobrir se o companheiro tem um perfil em um deles. Uma espécie de delação digital. Um verdadeiro business!

Deficientes físicos, pessoas com sobrepeso, gays, lésbicas, nerds, cristãos, solteiros com filhos, atletas e idosos também têm seu espaço garantido em ferramentas exclusivas e quase sempre gratuitas. E o melhor de tudo isso, com a comodidade de usufruir desse catálogo humano enquanto viaja no ônibus, durante o intervalo da faculdade ou mesmo aguarda na fila do banco. Maravilhoso!

Mas, nesse cassino virtual nem tudo são flores. As exigências estão cada vez maiores e se quisermos competir nesse jogo temos que nos submeter a algumas regras, quase sempre implícitas, além de um pouco de sorte, claro. Dito isso, o comportamento da sociedade em rede revela que nem todas as pessoas estão preparadas para esse jogo de amor e sorte.

Assim como na vida offline, nas redes sociais de paquera a lei da atração funciona quase sempre como uma espécie de pacto narcisista, através do qual nos sentimos atraídos por alguém que julgamos semelhante, tenha interesses em comum e compartilhe das mesmas intenções.

Frequentemente, observa-se que a tecnologia que nasceu para facilitar e aproximar as relações humanas tem causado justamente o efeito contrário. Esse fenômeno que vai na contramão do objetivo esperado pode representar apenas o reflexo de uma sociedade cada vez mais perfeccionista, imediatista, que busca o par ideal em meio às inúmeras possibilidades que a internet oferece.

Afinal, a quantidade de perfis que permeiam na rede não para de aumentar.


Tinder, o queridinho dos aplicativos de paquera

 

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Reprodução Internet

Com a promessa ousada de pôr fim à rejeição, os amigos americanos Justin Mateen e Sean Rad criaram em 2012 o aplicativo de paquera que mais tarde se tornaria o mais famoso do mundo, o Tinder. Atualmente utilizado em 196 países – de acordo com dados publicamente divulgados pela própria empresa –, o tinder define-se por uma plataforma pensada para encontrar novas pessoas com interesses em comum, com base nas informações coletadas através do Facebook, no momento da adesão.

Em entrevista concedida ao link, em 2013, quando o Tinder chegou ao Brasil, o cofundador Justin disse que o aplicativo funciona como na vida real. Segundo ele, quando se conhece alguém fora da rede, a primeira coisa que se nota sobre a outra pessoa é a aparência física e, logo em seguida, amigos e interesses em comum.

site do Tinder revela que até o final de 2016 o aplicativo já contava com mais de 10 milhões de usuários somente no país tupiniquim, o que equivale a toda população de Portugal.

O sucesso do aplicativo pode ser traduzido em números

 

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Arte: Thiago Guimarães

Mas, afinal, como funciona o Tinder?

A facilidade de manuseio tem popularizado aplicativos de relacionamento em todo o mundo. O Tinder segue como o aplicativo mais utilizado nesse segmento de mercado

Reprodução: giphy.com

É tudo muito simples. Na tela principal do tinder aparecem fotos de usuários potencialmente compatíveis, com base na geolocalização e faixa de idade previamente configuradas, além das informações extraídas do Facebook como já mencionado.

Em cada perfil visualizado se obtém a opção de curtir ou não a outra pessoa. Como em uma espécie de “cardápio humano”, o usuário visualiza a foto e, se por acaso sentir-se atraído, desliza a foto para o lado direito da tela. Caso não goste do que vê, basta deslizar o dedo no sentido contrário.

Em prática, se ocorrer uma atração recíproca, o famoso Match, o novo casal terá a oportunidade de bater um papo online. É importante ressaltar que o aplicativo mostra apenas pessoas que estão geograficamente próximas. Mas existe a possibilidade de aumentar a distância para ver mais perfis online.

A grande engenhosidade do tinder é a discrição, tendo em vista que a outra pessoa somente terá conhecimento do seu interesse se ela também te curtir. O aplicativo só permite contato direto entre pessoas que realmente manifestem interesse mútuo.


Relações digitais, sentimentos reais?

Se por um lado a internet causa a sensação de conforto, acolhimento e aproximação, por outro, o encontro real pode não seguir no mesmo ritmo

Reprodução: internet

O primeiro passo para encontrar alguém certamente é conectar-se com outras pessoas, ainda que seja em um ambiente virtual. Tal como na vida fora da telinha, os sites e aplicativos de relacionamento não vêm com um manual de instruções, tampouco existem fórmulas preconcebidas. O que existe, na realidade, é a manutenção de uma relação de respeito entre os usuários, independente do que se procura.

A psicóloga Anne Rafaele avalia que na perspectiva de satisfazer desejos, muitas pessoas recorrem às ferramentas virtuais no intuito de otimizar tempo e aumentar as chances de encontrar alguém que preencha suas necessidades, ainda que imediatas. O que para muitos pode ser encarado como um jogo ou passatempo, para outros se torna a única maneira de investir em uma relação amorosa.

Para essas pessoas que procuram um relacionamento mais estável, às vezes, as expectativas podem se revelar bastantes frustradas, causando insegurança, isolamento, medo, raiva e elevação do nível de ansiedade. Elementos que poderão influenciar negativamente em relacionamentos futuros e até mesmo em outras esferas sociais, como estudo e trabalho.

Lógico que isso também acontece na vida real, pois você projeta sobre a outra pessoa desejos e virtudes que, à medida que se conhece melhor, vão se desconstruindo ou se afirmando. Mas quando se trata de relacionamento virtual a expectativa que se cria é sempre potencializada, pois quase sempre acreditamos somente no que a outra pessoa está dizendo”, analisa a especialista.

Por isso, antes de criar um perfil nas redes é fundamental compreender o que se procura. Não há problema algum em procurar apenas por sexo casual, desde que isso seja feito de maneira responsável. Contudo, nem sempre é fácil sair satisfeito dessa selva digital, uma vez que  é preciso ter bastante paciência e, sobretudo, não criar grandes expectativas.

A psicóloga acrescenta que o par perfeito pode ser encontrado em qualquer lugar, mas leva-se em consideração que a comunicação frente a frente, muitas vezes, pode inibir sentimentos e bloquear pessoas mais tímidas ou com pouca habilidade de se relacionar.

Além disso, o papo online é considerado uma maneira mais interessante de conhecer pessoas em virtude dos inúmeros recursos que o ambiente virtual pode oferecer, como imagens, gifs, vídeos, áudio. Com a aproximação do dia dos namorados, sites e aplicativos de namoro podem ser uma ótima opção para adiantar a vida dos tímidos, dos ocupados e até dos avessos a baladas. Vale lembrar que o presente não pode ser virtual.

Para entender melhor como se constroem as relações amorosas no ambiente virtual consultamos a Psicóloga Anne Rafaele. Confira:


Sim, o amor é possível

Foi através de amigos em comum no Facebook que a jovem estudante Ariane Barros, 26, conheceu seu atual noivo, o italiano Martin Mannino, 33, em julho de 2014. Durante cinco meses eles conversaram no chat, trocaram fotos e descobriram as primeiras afinidades.

Ainda em 2014, no período de férias natalícias de Martin, o italiano resolveu encurtar o espaço e viajou para Maceió a fim de conhecer Ariane. De acordo com ela, o contato pessoal superou as expectativas mais otimistas do plano virtual.

Foto: cortesia/arquivo pessoal (Arte: Thiago Aquino)

Após uma semana de sua chegada à capital alagoana, Martin viajou para Salvador, como já estava previsto em seu itinerário de férias. Em menos de 24 horas o italiano sentiu a ausência da estudante e retornou a Maceió. Desde então, eles não se separaram mais. O relacionamento ainda que temporariamente mantido a distância já dura três longos anos. A cada três meses ela viaja para revê-lo na região da Sicília, sul da Itália, onde ele reside.

Os planos não param por aí. Até o final deste ano eles planejam morar juntos de vez. O grande empasse vai ser trocar a feijoada pelo espaguete. Pelo visto isso não será um problema já que amor venceu todas as distâncias físicas que os separavam, com a ajudinha da internet, claro.


Evolução dos chats de paquera ao longo dos anos

Com o surgimento de aplicativos e sites exclusivos para relacionamento tudo ficou mais fácil, mas nem sempre foi assim

Em uma época não tão distante – mais precisamente em meados da década de 1990 até metade dos anos 2000 –, o acesso à internet era feito de forma discada, também chamada dial-up. Quase sempre os internautas deveriam esperar após a meia-noite para entrar na Web devido a tarifa bem mais barata.

O ritual preparatório era regido pelo tom de discagem, seguido de ruídos que mais pareciam contatos extraterrestres. Os mais jovens certamente nunca tiveram essa experiência mítica que embalava madrugadas quando o acesso à rede ainda era algo novo e surpreendente.

Ouça o som da internet discada:

 

Você entrou na sala…

Para muitos, todo esse rito ainda pode causar uma certa nostalgia. Isso por que foi justamente nessa época que surgiu o pioneiro no segmento de paquera virtual no Brasil, o mitológico Bate papo UOL. Criado em 1996, o bate papo era o maior serviço de chat em língua portuguesa do mundo. 

Sua proposta era conectar pessoas de forma anônima em todas as partes do Brasil e exterior. Foi, sem sombra de dúvidas, um frenesi que marcou a adolescência de muitos adultos de hoje.

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A página era subdividida em categorias, como idade, cidade, sexo, entre outras. Nas salas de sexo, por exemplo, fotos eróticas rolavam pela janela em meio às conversas apimentadas entre os usuários.

Por falar em usuários, esses utilizavam os nicknames mais excêntricos que nem sempre condiziam com aquilo que realmente eram por trás da telinha. Nesse ponto, pouca coisa mudou com o passar dos anos.

O Bate papo ainda existe e até ganhou novos layouts e uma versão mobile, mas a proposta da UOL se tornou obsoleta diante da chegada de recursos mais modernos e eficazes.

 

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Com um layout primário e recursos escassos, outro chat que fez bastante sucesso na primeira metade dos anos 90 foi o mIRC, principal cliente de IRC (Internet Relay Chat). O bate papo foi criado e desenvolvido por Khaled Mardam-Bey, em 1995, com o objetivo de ser um programa de chat que permitisse conversar com milhares de pessoas sobre temas específicos.

Print Screen tela bate papo mIRC

Não haviam imagens e para usufruir dos recursos era preciso instalar o programa no computador. Em 2003, o mIRC liderava entre as 10 maiores chats, segundo um ranking da empresa de pesquisa Nielsen. Em 2008, o programa atingiu a marca de 150 milhões de downloads. A rede chegou a ter quase 50 mil usuários e 1 milhão de conexões todos os dias.

Mesmo em meio a aparente bagunça, o mIRC se consolidou como ponto de encontro de jovens entre os anos de 1998 e 2003. Ele ainda existe, mas já não é mais o mesmo.

Quem você conhece?

E quando se fala nessa época, é impossível não citar o eterno queridinho dos brasileiros, o Orkut. A rede social que já foi a mais popular do Brasil foi criada em janeiro de 2004 pelo engenheiro Orkut Buyukkokten. Durante os anos 2000, quando iniciou o boom das redes sociais, os xavecos online aconteciam de maneira mais dissimulada.

Uma das marcas registradas do Orkut eram as comunidades. Nelas, os fóruns instigavam joguinhos de “pega ou passa” que rendiam boas paqueras e diversão. Se de um lado as comunidades eram garantia de boas risadas, os famosos depoimentos privados serviam como cantadas furtivas, carregadas de emoji.

Naquele tempo não existia a famosa cutucada, como existe hoje no Facebook. Então, para dar um passo a frente na possível relação, mandava seu buddy poke interagir com o buddy poke do outro usuário, com a possibilidade de mandar flores, abraços e até beijos.

Na hora de solicitar amizade ao crush não se observavam os likes das fotos, mas sim a descrição do perfil, sempre importante para saber se a outra pessoa era considerada legal, afetuosa, sexy, entre outras características.

A rede de Zuckerberg

No mesmo ano em que nasce o Orkut foi lançado também o Facebook, a rede social de Mark Zuckerberg. O Facebook nasceu em uma Universidade Americana e logo se tornou a rede social mais acessada do mundo, ofuscando de vez os anos de glória do finado Orkut no Brasil.

Reprodução: Internet

Se engana quem pensa que o Facebook não oferece a possibilidade de paquera. Entre os inúmeros recursos, a rede social permite o envio e compartilhamento de fotos e até vídeos em tempo real. Ferramentas como a sugestiva “cutucada” tornaram o Facebook mais uma possibilidade de paquerar online, apesar de não ser esse o objetivo de sua criação.


A democratização dos aplicativos e sites de paquera

Apesar de ser o mais popular, o Tinder também tem seus concorrentes de peso, que apostam nas ideias mais criativas para ganhar novos adeptos

 

 

Grande parte dos aplicativos e sites de relacionamento são gratuitos ou disponibilizados com um custo baixo de utilização, o que desperta cada vez mais o interesse de jovens, adultos e idosos.

Com a popularização dos Smartfones, os aplicativos e chats de paquera foram ganhando cada vez mais espaço. Há quem compara os celulares quase como uma extensão do próprio corpo. Mas, diante das inúmeras plataformas disponíveis no mercado, fica difícil escolher qual seria aquele ideal.

Para muita gente, o fato de julgar outras pessoas basicamente por meia dúzia de fotos ainda pode soar um pouco superficial, é compreensível. Por esse motivo, diversos aplicativos foram idealizados para atender às demandas de perfis diferentes de usuários. Assim, não custa nada provar alguns deles e, caso não goste, basta desinstalar.

Confira abaixo os aplicativos e sites mais populares e curiosos:

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Essas ferramentas de relacionamento virtual podem ser comparadas a uma festa, para qual você não precisa se arrumar, nem se deslocar e gastar dinheiro. Basta haver um aparelho eletrônico com acesso à internet para descobrir pessoas interessantes perto de você. No entanto, as redes sociais de paquera também podem destruir relacionamentos. Tudo vai depender do uso que se faz delas, além da maneira como cada um conduz a conversa.

No YouTube é fácil encontrar dezenas de tutoriais ensinando como abordar o crush e garantir que o papo evolua. Apesar de todo essa solidariedade compartilhada, regras básicas como educação, gentileza e transparência serão sempre bem-vindas.

Público gay

Algo interessante que se observa nos aplicativos exclusivamente gays é a preocupação dos usuários em manter o anonimato. Parte considerável das pessoas preferem não expor fotos reais de rosto e estão quase sempre desconfiados na hora de se apresentar e fornecer informações pessoais, o que gera sempre um clima de incerteza e desconfiança recíproca. Talvez por essa razão, muitos usuários gays optam por aplicativos e sites mais comuns, onde possam escolher o melhor tipo de abordagem sem grandes questionamentos.


Deu Match, e agora?

A postura que se adota após a combinação é essencial para o desenvolvimento da conversa

Reprodução: Giphy.com

Antes de mais nada é necessário acabar com esse estigma que pessoas encontradas em aplicativos não são interessantes para ter um relacionamento sério.

Se você começa uma aproximação com esse pensamento, a probabilidade de pôr tudo a perder aumenta consideravelmente.

Tudo vai depender da condução desse diálogo pós match. Por falar em match, algumas vezes aquela combinação que parece cair do céu nem sempre corresponde às expectativas.

Além do mais, não é certo que as redes sociais reflitam um recorte fiel da vida real, pois como foi dito pela psicóloga Anne Rafaele, o universo digital funciona como um grande palco onde as pessoas decidem o que querem demonstrar e mostrar. Não crie paranoias caso não aconteça como esperado, faz parte do jogo.

O primeiro passo logo após a combinação dos perfis é o início do bate papo online, onde as primeiras cartadas serão lançadas a fim de despertar um interesse que vá além do aspecto físico. Nessa fase inicial, seja sempre educado e demonstre entusiasmo em conhecer aspectos da vida da outra pessoa. Mas, atenção, perguntas em excesso ou que invadam a vida privada podem assustar nesse primeiro momento.

Não existe uma medida exata, como nas receitas de bolo, mas basta um pouco de bom senso e empatia para encontrar o limite sutil entre estar interessado, ser intrusivo ou apenas curioso. Um comportamento bastante comum e difundido nas redes é ocultar, mentir ou querer demonstrar algo que não representa a verdade.

Lembre-se que mesmo se tratando de uma cômoda ferramenta virtual, o encontro real será inevitável em um segundo momento. Não existe ninguém perfeito, portanto, não compre nem venda superficialidade. No final das contas, só prevalece o que é real.

Real VS Virtual

Os aplicativos podem ser muito úteis, desde que usados com responsabilidade como já foi dito pela consultora sexual Milka Freitas. Mas nunca se esqueça que por trás de cada perfil existem pessoas reais que, assim como você, estão ali por alguma razão que nem sempre deixam explícita. Às vezes nem sabem o que realmente querem.

É inegável que a comunicação digital oferece inúmeras potencialidades, como o compartilhamento de fotos, vídeos, músicas, áudios, entre outros fatores que, decerto, permitem que as pessoas se conheçam de forma mais acelerada e descubram as primeiras compatibilidades.

Mas, para chegar nesse ponto, a combinação deve ser feita – com exceção de alguns aplicativos que não necessitam do match. Para isso, o julgamento individual será sustentado nas fotos publicadas no perfil. Se existe uma grande vantagem nesse sistema, seria a possibilidade que o usuário tem de postar as melhores imagens, que enalteçam seus pontos positivos e oculte os menos favoráveis. Mas não faça como a Annita!

Em contrapartida, esse sistema  não te permite apresentar outros pontos que eventualmente poderiam interessar a outra pessoa caso a azaração acontecesse fora do plano virtual, como o modo de agir e caminhar, voz, olhar, cheiro, toque, entre outros.

Vale lembrar que ainda não saiu de moda conhecer pessoas em locais públicos, trocar olhares ou convidar para jantar fora. Muitas vezes a aparência física torna-se apenas um detalhe diante da capacidade do ser humano de encantar e seduzir seus semelhantes. Seja natural na hora de abordar alguém e valorize suas melhores armas. A melhor estratégia pode ser a sutileza.

A consultora sexual Milka Freitas avalia o uso dos aplicativos de paquera e dá algumas dicas para usuários de primeira viagem:


 

Efeitos negativos do uso excessivo dos aplicativos

O uso não saudável pode elevar o nível de ansiedade, provocar isolamento social e evoluir para dependência

O avanço das tecnologias é um fenômeno contínuo e irreversível. Diante dessa realidade, a grande questão que os especialistas em ciências humanas debatem trata da maneira como utilizamos esses recursos tecnológicos ao nosso favor, de modo que não nos tornemos reféns do mundo virtual.

Essa mudança comportamental dos velhos hábitos – que antecede o surgimento da internet e chega até a sociedade em rede que vemos hoje -, pode causar consequências desastrosas no ser social, caso não sejam adotadas medidas que previnam eventuais riscos de dependência ou outros efeitos psicológicos que comprometam a vida dos internautas.

A psiquiatra Suzzana Bernardes explica que o uso compulsivo de internet pode causar dependência, comparada até mesmo com a de usuários de drogas. Em virtude de ser um acontecimento relativamente recente, o assunto ainda está sendo estudado e debatido a fundo por especialistas do mundo inteiro. Tampouco existem dados sólidos divulgados que confirmem ou justifiquem esse comportamento.

Tendo como referência os aplicativos e sites para relacionamento, entendemos que nossas escolhas aparentemente “erradas” podem gerar um acúmulo de frustrações que crescem à medida que buscamos uma pessoa atrás da outra de maneira compulsiva. Lidar com a rejeição nem sempre é algo fácil, como explicou a psicóloga Anne Rafaele.. Esse tipo de situação acontece a todo momento e muitas vezes não nos damos conta por se tornar tão comum em nosso cotidiano que passa despercebido.

Ciúmes e Insegurança

Para a especialista, esse comportamento pode desencadear um quadro de dependência que, se não for tratado adequadamente, poderá evoluir para problemas mais graves, como quadros depressivos e de isolamento social.

Por um lado, a internet promove um contato maior e um conhecimento com pessoas de todo mundo. Em Contrapartida, essas pessoas se expõem em demasia, o que pode trazer inúmeros problemas”, complementa Suzzana.

Ainda de acordo com Suzzana, da mesma forma que esses mecanismos podem favorecer relacionamentos duradouros eles também podem destruí-los, uma vez que a questão da insegurança está muito presente na vida das pessoas, seja no ambiente online ou offline.

Pessoas ciumentas podem recorrer às redes sociais no intuito de monitorar atitudes do companheiro. Apesar de que o monitoramento através da internet reflete apenas a consequência da era digital, tendo em vista que monitorar os hábitos do parceiro (a) sempre foi algo comum.

Com a chegada da internet esse comportamento passou a ser potencializado devido aos inúmeros recursos disponíveis e a possibilidade de permanecer anônimo.

A psiquiatra Suzzana Bernardes elenca os principais sinais que podem indicar dependência.

Transtorno de Dependência de Internet

Usuários que dedicam mais de duas horas por dia conferindo suas redes sociais têm duas vezes mais possibilidades de provarem um isolamento social do que aqueles que passam menos de meia hora diária, é o que revelou uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade de Pittsburgh e publicada no American Journal of Preventative Medicine.

De acordo com a pesquisa, os usuários mais frequentes relataram que sentiram uma diminuição do sentimento de pertencimento social, além de um menor envolvimento com os outros e relacionamentos menos satisfatórios. A internet pode aproximar dos que estão longe, mas afastar dos que estão próximos.

Em tempos de redes sociais, seja para paquera ou não, a necessidade de ser visto e notado torna-se uma condição para que alguns indivíduos se sintam melhores consigo mesmo e consequentemente com o mundo.

A perda de autoestima ganha maiores proporções no ambiente virtual e podem afetar o círculo social do indivíduo caso não seja controlada, interferindo, inclusive, nas esferas de estudo e trabalho.

Se o individuo tem autoestima baixa isso vai lhe traz sofrimento e prejuízos nos relacionamentos. De qualquer forma, isso vai ocorrer independente de ser virtual ou real. O que deve ser feito é procurar ajuda profissional para tentar identificar a origem desse problema e cuidar adequadamente, muito provavelmente através de acompanhamento psicológico”, recomenda Suzzana.


Fragilidade das relações sociais: afinal, a culpa é da internet?

O comportamento compulsivo que se observa nesses mecanismos apenas reflete valores sociais escassos ou inexistentes, de acordo com sociólogo

O sociólogo Ascanio Gama Freires avalia que em uma sociedade acelerada e competitiva, na qual homens e mulheres têm igualdade de condições civis, os pais tornaram-se cada vez mais ausentes na formação educacional dos filhos. Como reflexo dessa ausência eles acabam, ainda que involuntariamente, terceirizando a responsabilidade de educar as crianças para outras pessoas, núcleos e instituições.

Partindo dessa concepção, conclui-se que essa suposta quebra de valores ou, se preferirmos, liquidez das relações, que coloca o ser humano como um mero objeto de desejo, apenas reflete o que já acontece na sociedade contemporânea onde não identificamos referências familiares sólidas.

Quando reportamos esse novo padrão de comportamento para o ambiente virtual ele se potencializa e ganha outras dimensões, pois na internet as pessoas se veem e se comunicam mais, além da possibilidade de se manterem aparentemente anônimas, o que gera a falsa impressão que tudo é permitido. Para Ascanio, a tecnologia não tem culpa pela relativização e banalização dos valores ou a inexistência deles, ela não tem autonomia para isso.

Como resultado da ausência do núcleo familiar enquanto educadores e formadores de caráter, os jovens crescem imersos na cultura midiática da televisão de massa e internet que, através de novelas, seriados, programas de TV e redes sociais, redefinem conceitos e posturas comportamentais, impondo, assim, suas ideologias”, analisa o sociólogo.

Até quatro ou cinco décadas atrás, a competência de educar as crianças era atrelada à mulher. Diante de uma cultura machista e conservadora, o homem era encarregado de trabalhar e sustentar a família. Após as grandes conquistas feministas ao longo dos anos, as mulheres ganharam espaço e voz e com isso o direito de sair de casa para trabalhar.

Todo esse processo teve, sem dúvidas, consequências positivas, mas também gerou um distanciamento ainda maior entre pais e filhos que com o tempo se intensificou.

O sociólogo Ascanio Freires reitera seu ponto de vista em relação ao papel da família nesse processo de formação de caráter. Ouça:

 

Influência das grandes mídias

A interação e sociabilização – componentes fundamentais para a formação de referências comportamentais e de caráter –, são difundidas pelos grandes veículos de comunicação de massa, que assumem o papel de educadores enquanto os pais se preocupam apenas em ganhar dinheiro.

Ainda segundo o sociólogo, nesse processo de formação de caráter ideal, o de alguém sério, disciplinado e honorável, constitui-se como componente essencial a presença da família, além de outras instituições sociais como a igreja.

Na ausência desses componentes, isso nos conduz ao culto da superficialidade, no qual as pessoas se esforçam para parecer coisas diferentes do que verdadeiramente são e acabam suprimindo a própria personalidade apenas com o intuito de agradar e ser valorizado.

A psicóloga Anne Rafaele compartilha da ideia de Ascanio quando declara que uma base institucional familiar sólida é determinante no que concerne a boas condutas sociais. Ela acrescenta que há muitos anos as grandes mídias têm investido em como disciplinar e manusear os comportamentos das pessoas.

De um modo geral, a mídia invade toda a sociedade, tanto como sujeito como ser social e político.

Desse modo, estabelece novas formas de subjetividades e valores, podendo realocar condutas sociais e morais de maneira imediata. Em poucas palavras, ela vai influenciar diretamente na forma de agir das pessoas.

Eu classificaria esse fenômeno como remodelação da intimidade, da forma de exercer a sexualidade das pessoas e de construir vínculos sociais”, conclui a profissional.

Como consequência desse imediatismo, procuramos por indivíduos que venham prontos ao nosso molde, da maneira como gostaríamos ou imaginamos. Sendo assim, não podemos esperar um comportamento diferente da parte de quem está do outro lado. Pensando por essa lógica, as pessoas acabam se anulando o tempo todo, pois sempre buscam por alguém melhor.

Na ausência de referências que definam qual a pessoa ideal, a estética ganha força e acaba transportando essa obsessão pelo aspecto físico para todas as esferas da vida. Nesse contexto, o interesse inicial se dá a partir de chamar a atenção para si, seja através de uma foto compartilhando bons momentos, uma frase bem colocada ou uma mentira bem contada.

Em virtude dessa nova dinâmica, a personalidade e caráter ficam em segundo plano, dando lugar a personagens pré moldados em conformidade com as exigências de outros indivíduos.

Promiscuidade digital

A psicóloga explica que desde muito cedo somos pressionados a dar respostas, posicionamentos, status para a sociedade. Quando adolescentes, já devemos escolher a profissão que seguiremos no futuro. Após a maioridade, espera-se uma postura mais responsável. Já aos 30 devemos estar graduados, ter um bom emprego, estar em um relacionamento estável e, melhor ainda, com casa e carro na garagem. Existem exceções, sem dúvidas. Mas, o que isso tem a ver? Vamos entender.

O comportamento frenético que tem se difundido por meio dos usuários de aplicativos para relacionamentos, sobretudo daqueles que buscam sexo a todo custo, pode ser resultado dessa cobrança social que recebemos de todos os lados, ainda que de maneira velada.

A tecnologia, nesse contexto, pode funcionar como uma válvula de escape para as tensões do dia a dia, pois é prático, discreto e eficiente. A consequência dessa postura pode resultar em um comportamento promíscuo, que certamente será reflexo do que já acontece na vida do indivíduo fora do ambiente digital, diga-se de passagem.

Devido a grande rotatividade de usuários o leque de pretendentes parece não ter fim e isso contribui ainda mais para tais comportamentos desmoderados.


Arte: Thiago Guimarães

Surgimento da Internet

Mas claro que sem a internet nada disso seria possível. A rede que conecta milhões pessoas mundo afora surgiu a partir de pesquisas militares desenvolvidas pelos norte-americanos durante a Guerra fria, que tinham como objetivo criar uma ferramenta capaz de proteger informações sigilosas em casos de bombardeios. Inicialmente, esse modelo de compartilhamento de dados era denominado ARPANET, criada pela ARPA, sigla para Advanced Research Projects Agency.

Somente em meados dos anos 1990 a internet ganhou força, quando o então físico britânico Tim Bernes-Lee inventou o sistema “www” – leia-se World Wide Web –, com o intuito interligar as Universidades de modo que as pesquisas acadêmicas fossem utilizadas contemporaneamente em um mesmo ambiente compartilhado entre as partes interessadas.

Como resultado da engenhosidade de Tim e sua constante busca pela melhoria, chegamos à internet como a conhecemos hoje.

O risco é virtual, mas o perigo pode ser real

A navegação na internet pode envolver alguns riscos, tendo em vista que mesmo diante de um mundo de informações, nunca saberemos ao certo quem está do outro lado. Por essa razão, a segurança continua sendo o maior desafio que as grandes empresas do setor enfrentam. Incansavelmente, muitas delas avançam nesse quesito pois constantemente são descobertas vulnerabilidades em diversos serviços disponibilizados. No entanto, os usuários podem e devem se precaver de eventuais dores de cabeça.

Uma regra básica para sair ileso desse campo minado é nunca fornecer dados pessoais exatos, como endereço, documentos e local de trabalho e estudo já no primeiro contato. Isso não quer dizer que você tenha que se manter anônimo ou mentir o tempo inteiro, mas sim estar atento. Devido a grande rotatividade de combinações e conversas, assim como podemos encontrar pessoas com boas intenções, outras podem não estar tão bem-intencionadas assim.

Vale recordar que menores de idade não podem fazer uso de aplicativos e sites para relacionamento. Isso em teoria, pois sabemos que algumas informações podem ser facilmente burladas. Por isso, os pais devem estar atentos quando seus filhos estiverem sozinhos no celular ou computador, sobretudo quando se trata de crianças.

O risco de sofrer algum tipo de violação de direitos ou ser vítima de sequestros ou pedófilos deve ser sempre considerado. Acompanhar ou monitorar a criança ou adolescente enquanto navega não significa invadir sua privacidade, mas zelar por sua segurança.

De volta para o público adulto, saber diferenciar a princípio esses dois perfis de usuários pode não ser uma tarefa fácil. Portanto, na dúvida, não tenha pressa em superar as etapas primárias de conhecimento recíproco e ganho de confiança.

Falar da rotina pode ser uma boa maneira de se aproximar e conhecer os hábitos da outra pessoa, mas também pode ser um prato cheio para violência sexual, fraudes e atentados. Tudo deve ser compartilhado aos poucos à medida que se conhece melhor a outra pessoa. 

Para Gustavo Acioly, especialista em internet e redes sociais, é sempre oportuno buscar referências antes de marcar um encontro real. Se sentir abertura, solicite fotos com amigos em locais públicos, pergunte sobre o que gosta de fazer, preferências, ambições, desejos.

Desperte em si mesmo a sensibilidade de entender quando a outra pessoa se contradiz nas respostas. Apesar de o imediatismo ser algo comum, até do ponto de vista dos princípios da internet, desconfie caso alguém queira marcar algo com muita pressa, sobretudo com mulheres.

Outra dica é buscar por seus outros perfis em redes sociais como Facebook e Instagram, onde se pode observar possíveis amigos em comum, páginas curtidas e entender o círculo social que ela frequenta”, sugere Gustavo.

Superada essa etapa, o encontro pode ser finalmente marcado. Afinal, ninguém quer conversar para sempre pelo celular. Quando o olho no olho torna-se inevitável, opte por encontros em locais públicos. E se mesmo assim não se sentir seguro e quiser arriscar, peça a companhia de um amigo para te acompanhar ou ao menos comente com ele com quem está saindo e para onde está indo.

Crimes virtuais

Outro perigo bastante frequente pode ser o roubo de informações de usuários e até a perda de dados. Para alguns sites e aplicativos mais eficientes, existem requisitos de segurança que podem ser definidos para manter essas informações mais seguras. Sempre que possível conecte-se em dispositivos de confiança que, de preferência, só você utilize.

Além disso, mantenha sempre o sistema de antivírus ativo no celular, computador ou tablet. Se for criar um perfil, observe sempre os termos de contrato eletrônico, que deverão ser respeitados.

Engenharia social

Trata-se de um termo pouco conhecido pela maioria das pessoas que utiliza internet. Ele refere-se a capacidade que alguns cybercriminosos têm de conseguir informações confidenciais utilizando-se de habilidades psicológicas de persuasão, ou simplesmente abusando da ingenuidade ou confiança do usuário.

Se a armadilha for bem montada, o criminoso pode obter informações privadas, tais como senhas e informações bancárias. Para montar o ataque, ele pode se disfarçar como mais um usuário em busca do amor nas redes sociais e, desse modo, transmitir a ideia de pessoa íntegra e respeitável.

Quando desconfiar de algo, uma dica é copiar e colar a frases recebidas no Google e veja se aparece algo suspeito. Muitas vezes, essas pessoas utilizam os mesmos discursos para todas as vítimas.

Phishing

A palavra phishing é uma variação do inglês (fishing), que significa pesca. O termo remete à ideia de lançamento de uma isca na esperança de que, enquanto a maioria ignorará a isca, alguns serão tentados a mordê-la.

Phishing é uma forma de fraude eletrônica, caracterizada por tentativas de adquirir fotos, músicas e outros dados pessoais ao se fazer passar por uma pessoa confiável ou uma empresa enviando uma comunicação eletrônica oficial. Isso ocorre de várias maneiras, principalmente por e-mail, mensagem instantânea e SMS.

Arte: Thiago Guimarães

Quem nunca ouviu essa frase que envie o primeiro nude. Para quem está sempre conectado em redes sociais o envio de imagens e vídeos sensuais nus ou seminus, também chamado de sexting, é uma prática bastante comum, sobretudo entre os mais jovens. A conduta, porém, divide opiniões de usuários e especialistas.

Inúmeros são os casos de personalidades que tiveram materiais íntimos vazados. Logo, a principal preocupação dos usuários em enviar fotos íntimas não é expor o corpo em posições quase acrobáticas, mas sim de a pessoa que as recebe salvá-las e repassá-las.

Em tempos onde os conceitos de privacidade foram redefinidos ninguém quer correr o risco de ser exposto dessa forma, seja por invasão de hackers ou por vingança de ex-companheiros.

Por outro lado, a tentação de ver e ser visto muitas vezes fala mais alto, uma vez que aumenta a autoestima e aproxima casais que estão distantes. Outro motivo que leva algumas pessoas a esse comportamento é o desejo biológico do exibicionismo.

A maioria dos pedidos partem dos próprios companheiros e são repassadas através do Whatsapp. Alguns aplicativos como o Snapchat oferecem a possibilidade de compartilhar nudes com mais segurança, já que as imagens se cancelam após algum tempo. Mesmo assim, existe a possibilidade de a pessoa fazer um print do material, mesmo sabendo que o emissor será notificado.

Trocar fotos íntimas pode ser sim algo saudável, desde que exista uma confiança mútua. De qualquer forma, vale sempre a pena se precaver”, alerta Milka Freitas.

Cuidados simples podem evitar constrangimentos

Mas se você não abre mão de enviá-los mesmo sabendo dos riscos, evite mostrar seu rosto e marcas que o identifiquem nas fotos, como tatuagens ou pintas. O ideal é que sempre apague suas fotos e vídeos íntimos, mas se preferir armazená-los seja cauteloso. Um modo seguro é compactar os arquivos em uma pasta zip com senha.

No celular, existem aplicativos eficientes com senha para esconder seus tesouros, como o Private Photo Vault. Outra dica válida é evitar mandar o mesmo nude para várias pessoas. Sabemos que é difícil, mas considere que se a imagem vazar fica difícil saber quem foi o responsável.

Tome cuidado ao usar conexões WiFi compartilhadas em lugares públicos; elas podem ser armadilhas para roubar seus dados. Em virtude desse risco, evite usá-las pra mandar nudes e, se for inevitável, procure sites e aplicativos que forneçam conexões criptografadas.

Lei classifica ação como crime

Em 2012, foi criada a Lei Nº 12.737/2012, chamada de Lei Carolina Dieckmann, que marca o início das penalidades para quem comete crimes cibernéticos, alterando o Código Penal para tipificar como infrações uma série de condutas no ambiente digital, principalmente em relação à invasão de computadores, além de estabelecer punições específicas.

Se mesmo após tomar todos esses cuidados você for vítima de crime virtual, procure uma delegacia especializada na sua cidade ou na inexistência de uma delas peça orientação em qualquer outra delegacia.

Em Maceió, a vítima pode procurar a Seção de Combate a Roubos a Bancos (Serb), que atua também na investigação de crimes de internet. Algumas instituições como a ONG Safernet oferecem auxílio psicológico e orientações na esfera jurídica.

  • José Luiz De Lima Neto

    Parabéns ao autor pelo texto!!! Boa escolha e abrangência de um tema que não é tão falado!!! Adorei!!!!!

  • Davy De Albuquerque Tenório

    Ótimo texto, assunto bastante utilizado mas pouco falado. Parabéns ao autor do texto pela escolha do tema a ser abordado.

  • Elenice Bispo

    Adorei. Texto delicioso!